Como desenvolver o paladar mas sem riscos

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O 1º ano de vida e todo o período pré-escolar, é uma fase muito importante para o desenvolvimento das preferências e hábitos alimentares e para a transmissão de valores relativamente a estes hábitos. Estes são fatores que irão influenciar a forma como a criança perceciona e interage com a alimentação durante o seu crescimento.
Nesta fase do crescimento, a criança, desejavelmente, irá ter uma maior curiosidade por novos alimentos. Esta curiosidade é uma mais-valia na diversificação alimentar da criança – fator de importância maior para o bom desenvolvimento das suas preferências alimentares ao longo da idade infantil. No entanto, nem todos os alimentos são seguros para consumir durante o 1º ano de vida.

Deixamos-lhe abaixo alguns conselhos úteis dos alimentos a evitar e alternativas para continuar a estimular uma alimentação saudável com diferentes texturas e sem riscos associados. Conheça os alimentos que colocam a criança em risco e que devem ser evitados, bem como recomendações de formatos alternativos de oferecê-los:

  • Grandes pedaços de alimentos que podem ficar presos na garganta. Recomenda-se que os alimentos sejam cortados em pequenos pedaços – ex.: cortar uvas e cerejas em metades ou quartos, retirando as grainhas. O mesmo para tomate cherry e morangos. A carne deverá ser finamente cortada, tal como os vegetais.
  • Hortofrutícolas cruas ou mal confecionadas. A adição de hortofrutícolas cruas na dieta da criança é desejável para o desenvolvimento da dentição e adaptação a novas texturas, diminuindo-se gradualmente a textura mole das “comidas de bebé” – sendo também alimentos, salvo raras exceções, com maior riqueza vitamínica, mineral e em fibras. Devem ser cortados em pequenos pedaços e apenas devem ser oferecidos aqueles que se apresentam com texturas mais moles e, assim, adaptadas à capacidade da criança mastigar e engolir, para não a colocar em risco de aspiração. Vegetais com texturas mais rijas devem ser confecionados e cortados em pequenos pedaços.
  • Frutos secos e sementes. Apesar da sua densidade nutricional favorável são um risco para crianças desta idade, sendo que os frutos secos como nozes, amêndoas, cajus, avelãs, pistácios, e sementes como as sementes de sésamo, girassol, linhaça, devem mesmo ser evitados, a não ser que completamente triturados ficando com textura de farinha e adicionados a outros alimentos. Podem ser demasiado pequenos para asfixia, no entanto, podem ficar aprisionados nas vias respiratórias da criança podendo criar infeção.
  • Em fruta fresca com a melancia, melão, meloa, pêssegos, ameixas e cerejas as sementes e caroços devem ser removidos antes de oferecê-la à criança.
  • Manteigas de frutos secos como a manteiga de amendoim, podem ser difíceis de engolir pelo que não devem ser servidas “à colher”. Para serem consumidas devem ser barradas com pouca espessura em pão/tosta ou, em alternativa, ser adicionada a iogurtes, papas de fruta eventualmente com um pouco de água para tornar a sua textura mais liquefeita.
  • Alimentos rijos e crocantes para além dos frutos secos já enumerados, também pipocas, rebuçados e outras guloseimas com estas características que para além de não promoverem uma alimentação saudável, promovem também o risco de engasgamento.
  • Alimentos viscosos/aderentes como pastilhas elásticas e outros como gomas, fruta seca e marshmallows, podem ficar alojados na garganta da criança. O queijo derretido pode também causar este risco.

Vera Fernandes, Nutricionista do Programa de Alimentação Saudável do Jumbo.

Membro da Ordem dos Nutricionistas nº1581N.

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